AGRICULTURA
Na França, agricultores fazem mobilizações contra acordo Mercosul-UE
Os agricultores franceses organizaram mobilizações nesta segunda-feira (18) contra o acordo comercial União Europeia-Mercosul. Apoiados pelo governo, os produtores argumentam que o acordo ameaça os seus meios de subsistência ao permitir um aumento das importações agrícolas sul-americanas produzidas sob padrões ambientais menos rigorosos.
Os protestos estavam previstos para ocorrer em todo o país. Até agora, os atos eram pequenos. Um grupo bloqueou uma rodovia a sudoeste de Paris na noite de domingo (17) com tratores. Testemunhas em Velizy-Villacoublay disseram que cerca de 20 tratores foram estacionados por agricultores com cartazes durante a noite em uma via adjacente à rodovia N118, em sentido para Paris, mas haviam deixado o local no fim da manhã de segunda-feira.
A União Europeia e o Mercosul chegaram a um acordo inicial em 2019, mas as negociações tropeçaram devido à oposição dos agricultores e de alguns governos europeus, como a França.
“É inaceitável tal como está”, disse o ministro de Relações Exteriores francês, Jean-Noël Barrot.
Mas as mãos da França podem estar atadas.
Há temores de que o acordo possa ser finalizado na cúpula do G20, que está sendo realizada no Rio de Janeiro, nesta semana. Um acordo parcial poderia ser acordado mesmo contrariando os interesses da França, que não detém poder de veto.
Outras nações como a Alemanha e a Espanha gostariam de ver um acordo amplo com os sul-americanos.
“Há uma certa mitologia em torno do Mercosul”, disse o ministro espanhol da Agricultura, Luis Planas Puchades, que argumenta que há mais em jogo do que apenas a agricultura.
“A União Europeia está interessada, neste momento, em se fechar dentro de si mesma?”, perguntou o ministro antes de uma reunião ministerial agrícola da UE na segunda-feira. “Ou está interessada, neste contexto geopolítico particular que vivemos, e especialmente depois das eleições norte-americanas, em expandir a rede dos nossos acordos comerciais com terceiros países para manter também a nossa influência econômica e comercial? Acho que a resposta é muito clara.”
Os novos protestos na França são liderados por sindicatos, que se opõem a importações isentas de tributos de carne bovina, aves e açúcar, que, segundo eles, criam uma concorrência desleal.
Os proponentes do acordo argumentam que o pacto reforçaria significativamente os laços econômicos entre a Europa e a América do Sul, eliminando as tarifas sobre as exportações europeias, sobretudo para maquinaria, produtos químicos e automóveis, melhorando assim o acesso ao mercado e criando oportunidades lucrativas para as empresas europeias.
A ministra da Agricultura francesa, Annie Genevard, opôs-se publicamente ao acordo comercial UE-Mercosul, citando riscos de desmatamento e preocupações de saúde associadas à carne tratada com hormônios. O presidente da França, Emmanuel Macron, também criticou o acordo, a menos que os produtores sul-americanos cumpram os padrões da UE.
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