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Redes sociais transformam luto em espaço de memória

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Trends têm se espalhado pelo TikTok e outras redes sociais,  mobilizando milhares de pessoas a compartilhar momentos de saudade de quem já morreu. Ao som da música DTMF, do cantor Bad Bunny, usuários publicam vídeos com fotos das pessoas que já faleceram e depois mostram o mesmo local sem a presença delas. Outra tendência consiste em postar lembranças, fotos e cenas do cotidiano acompanhadas da frase: “O pior dia do luto não é o velório nem o enterro”, seguida de um momento feliz que não pôde ser compartilhado com alguém que já partiu.

Essas tendências revelam uma mudança importante na forma como a sociedade fala sobre a perda e a saudade. Para a psicóloga Daniela Bittar, colunista do portal Além da Perda, idealizado pelo Grupo Zelo, e uma das organizadoras do Grupo Colcha, o luto não se limita ao impacto imediato da morte, mas se manifesta principalmente nos pequenos momentos do cotidiano.

“O velório e o enterro são rituais coletivos que ajudam a dar algum significado à perda, porque ali existe partilha, acolhimento e expressão das emoções. Mas, depois que tudo termina e as pessoas vão embora, fica o silêncio do dia a dia. É nesse vazio, nos momentos que antes eram compartilhados, que muitas pessoas sentem a dor mais profunda do luto”, explica.

Redes sociais como espaço de memória

Nos últimos anos, as redes sociais passaram a funcionar também como um espaço de expressão da saudade. Publicações com fotos antigas, mensagens dedicadas a quem morreu ou relatos sobre a perda têm se tornado cada vez mais comuns, algo que, segundo Daniela, pode ajudar no processo de elaboração do luto.

“As lembranças passam a ocupar um lugar de ausência daqui para frente. Quando alguém compartilha uma foto ou uma memória nas redes, muitas vezes está tentando manter esse vínculo afetivo com quem partiu”, afirma Daniela Bittar. “A gente quer falar da pessoa que amamos e que não está mais aqui. As memórias querem ser partilhadas”.

Segundo a psicóloga, esse movimento também reflete uma transformação cultural. Historicamente, a morte fazia parte da vida cotidiana e era vivenciada de forma mais coletiva. “Antigamente, os velórios aconteciam dentro das casas e a comunidade participava mais diretamente desses rituais. Com a vida contemporânea e urbana, a morte foi se tornando um assunto mais silencioso e afastado do cotidiano. As redes sociais acabam criando uma nova forma de reconexão e de conversa sobre esse tema”, avalia.

Juntamente com a iniciativa do Portal Além da Perda, o Grupo Zelo também tem fomentado a temática do luto em outras frentes, como o Podcast Bucket List, que está entre os mais ouvidos do país na categoria educação.

“Entendemos que o nosso papel como empresa de death care evoluiu. Não entregamos apenas um serviço, mas suporte emocional e conteúdo que ajudem as famílias a ressignificar a dor. Ao investir em plataformas como o Portal Além da Perda e o Bucket List, queremos quebrar o tabu sobre a morte e oferecer um ambiente seguro para que o luto seja vivido com dignidade e compreensão, seja no mundo físico ou no digital”, acentua Alessandro Oliveira, diretor do Grupo Zelo.

Validação da dor e também exposição

Ao ampliar o debate sobre o luto, a internet também pode oferecer algo que muitas pessoas enlutadas sentem falta: escuta e reconhecimento da dor. Por outro lado, essa visibilidade também exige cuidado. Como o ambiente digital é aberto e sem regras claras de interação, pessoas em sofrimento podem ficar mais expostas a julgamentos ou comentários inadequados.

“A expressão do luto pode ser saudável quando nasce da necessidade genuína de compartilhar, elaborar e manter vínculos com quem morreu. Mas existe o risco de essa exposição ser guiada pela expectativa dos outros ou pela busca de validação. Estamos falando de pessoas emocionalmente vulneráveis”, alerta.

Quando o luto precisa de atenção

O luto é um processo natural e não tem prazo definido. No entanto, sinais de desorganização intensa e prolongada podem indicar a necessidade de apoio especializado. “Se depois de seis meses ou um ano a pessoa ainda apresenta grande desorganização na vida, como incapacidade de voltar ao trabalho, dificuldades graves de relacionamento ou sensação constante de inadequação, pode ser importante buscar ajuda profissional”, orienta a psicóloga.



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a vida de Da Cunha em videogame

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Unir a trajetória real de um parlamentar com a linguagem dos videogames parece uma tarefa ambiciosa, mas é exatamente o que faz “Da Cunha: O Caminho do Guerreiro”, um jogo independente brasileiro que acaba de ser lançado gratuitamente para navegador. A obra percorre, em cinco capítulos interativos, a vida do deputado federal Delegado Da Cunha, desde os tatames da Baixada Santista até os corredores do Congresso Nacional — e ainda avança para um futuro distópico, onde a luta pela justiça se reinventa. A produção já chama a atenção pela originalidade com que mistura gêneros e narrativa.

Do judô ao quartel: os dois primeiros atos

A primeira fase coloca o jogador em um dojô, controlando o próprio Da Cunha criança em um combate de judô. Usando os botões de defesa e ataque, é preciso aplicar a disciplina que o esporte ensina: esperar o momento certo para bloquear e contra-atacar. Cada vitória desbloqueia uma nova página da biografia, revelando desde a infância humilde em Santos até a frustração de ver o sonho olímpico escapar por um erro administrativo no quartel.

O segundo capítulo transpõe essa mesma disciplina para o ambiente militar. Em uma fase de plataforma com obstáculos, o jogador precisa correr, saltar e se equilibrar por cenários do 2º Batalhão de Infantaria Leve (2º BIL), onde Da Cunha serviu como oficial temporário por oito anos. Lembrando Pitfall, ele pula sobre arames farpados, jacarés e pântanos como desafios de habilidade.

Patrulhando a Zona Leste de São Paulo

O terceiro ato muda completamente de tom. No comando de uma viatura com visão aérea, o jogador patrulha a Zona Leste de São Paulo em uma mecânica que lembra o primeiro “Grand Theft Auto”, mas com uma diferença crucial: aqui, se está do lado da lei. Sob as ordens do Delegado Da Cunha — que se comunica por rádio ao longo da missão —, é preciso interceptar veículos suspeitos usando manobras táticas e o uso inteligente da sirene.

“Queríamos resgatar a nostalgia do gênero top-down, mas subvertendo a lógica da violência. Não há armas de fogo. O jogador precisa imobilizar os criminosos pela condução, e o acionamento da sirene tem um papel estratégico: ligada, ela imobiliza os inimigos próximos e afasta civis, mas alerta os bandidos; desligada, permite uma aproximação furtiva”, explica a equipe de desenvolvimento.

A progressão da fase reflete a ascensão na carreira policial: começa-se enfrentando olheiros do tráfico e “aviõezinhos”, passando pelos gerentes do crime organizado e culminando na captura do líder da organização. Ao final, a mensagem de rádio de Da Cunha resume o espírito da missão: “Agora vamos mudar a lei em Brasília pra ele continuar preso”.

A batalha parlamentar: o plenário como campo de guerra

O quarto capítulo é também um dos mais surpreendentes. Quando a história atinge a esfera política, o jogo se transforma em um “tower defense” (defesa de território) ambientado no Congresso Nacional. O objetivo é aprovar o Projeto de Lei 3780/2023 — um PL real, que propõe o endurecimento das penas para roubos e furtos — enquanto ondas de inimigos simbólicos tentam desidratar a proposta.

A mecânica é uma metáfora precisa do processo legislativo. O jogador constrói “torres” que representam estratégias reais de atuação parlamentar: a “Argumentação Jurídica” dispara citações e jurisprudências contra as divergências; a “Mobilização Popular” gera dano em área, simulando a pressão das redes sociais; e os “Dados Técnicos” causam impacto massivo, como um estudo comparado que convence os indecisos.

Os adversários também são figurativos: “Divergências” são oponentes comuns, “Obstruções” são requerimentos que atrasam a tramitação, e os temidos “Chefes de Emenda” tentam suprimir trechos inteiros do projeto, reduzindo a eficácia da lei. Para vencer, é preciso gerenciar recursos limitados e evoluir as torres ao longo de 15 ondas — uma alusão às sucessivas comissões pelas quais um projeto precisa passar até chegar à votação em plenário.

“O jogo foi pensado para ser divertido e nostálgico, mas também para mostrar, de forma prática e intuitiva, como funciona o complexo percurso de uma lei no Brasil. O jogador se diverte defendendo o PL e, no processo, entende o que é uma emenda supressiva ou um pedido de vista”, comenta a equipe.

O clímax futurista: a derrubada do veto

A jornada não termina no Plenário. Em um quinto capítulo inesperado, liberado somente após jogar as outras fases, o jogador é transportado para um futuro distópico, onde Da Cunha — agora uma espécie de combatente da resistência — pilota uma nave espacial para destruir as torres do lobby e derrotar o “Grande Veto” presidencial. A fase mistura ação frenética com simbolismo: cada projétil disparado representa um voto, cada torre destruída é um argumento vencido, e o tempo limitado impõe a urgência da articulação política.

A transição do cenário político para a ficção científica não é arbitrária; ela traduz visualmente a ideia de que a luta contra a impunidade é contínua e exige reinvenção. Ao derrotar o veto, o jogador assiste à promulgação da Lei 15.397/2026, e o jogo se encerra com uma lista detalhada das penas endurecidas — uma forma de mostrar que cada decisão na Câmara tem impacto direto na vida das pessoas.

Uma biografia interativa, gratuita e multiplataforma

Com visual em pixel art e trilha sonora original, “Da Cunha: O Caminho do Guerreiro” está disponível gratuitamente para computadores e dispositivos móveis, diretamente no navegador. O jogo não requer instalação e pode ser acessado em qualquer aparelho com conexão à internet.

Ao unir a trajetória pessoal de um parlamentar com a linguagem dos games, o projeto aponta para uma nova forma de comunicação política — uma em que o eleitor não apenas lê sobre as leis, mas as defende com as próprias mãos.

Sobre o Jogo:

– Título: Da Cunha: O Caminho do Guerreiro

– Plataforma: Web (HTML5 / PC e Mobile)

– Gênero: Luta / Plataforma / Ação Top-Down / Tower Defense / Shoot’em up

– Preço: Gratuito

– Acesse: http://delegadodacunha.com/jogo



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